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Detetive Socorro Amaral, discursa no Congresso ladeada pelo Ministro do Trabalho e Emprego Ronaldo Nogueira, falando sobre a IMPORTÂNCIA DA MULHER DETETIVE.

Discurso:

“Senhoras e Senhores.

Caros colegas.

Coube a mim a honrosa tarefa de falar-lhes sobre a importância da mulher Detetive.

Nos dias atuais, em que se fala efusivamente em empoderamento feminino muito me enaltece ter sido escolhida. Mas desejo, como mulher e como profissional da área dizer-lhes meu sentimento pessoal de que não nos basta falar da mulher contraposta
àquele ser frágil de outrora. Os tempos são outros e nós mulheres, sem abrirmos mãos de nossa feminilidade, desejamos, lutamos e alcançaremos o reconhecimento não apenas pelo gênero biológico, mas pela competência e pela determinação em tudo o que fazemos na vida.

Somos significativa força de trabalho no país, com o indelével registro de que tudo o que fazemos alcançamos distinção pelo zelo e dedicação.

Não se pode, a despeito de conquistas alcançadas parar com a luta empreendida pelo nosso reconhecimento. É preciso, invocando a memória de Nelson Mandela em sua autobiografia “Um longo caminho para a liberdade”, sentar, senão para um breve descanso. É preciso continuar marchando em direção a novas lutas, para que obtenhamos novas vitórias.

A Constituição da República tem como um de seus fundamentos a dignidade da pessoa humana. Assim, falar do espaço feminino e de sua importância na profissão de detetive é, sobretudo, falar de sua dignidade como pessoa.

Na solidão do nosso trabalho quase sempre nos deparamos com vicissitudes que nos arrastam para o desânimo, mercê da incompreensão do trabalho digno e importante que desempenhamos para a sociedade. Não fossem os detetives particulares e inúmeros casos que vão de desavença conjugal a crimes jamais seriam descobertos. Incontáveis fatos mergulhariam no vale dos mistérios, na escuridão do ocaso. Porém, é necessário que se ponha em destaque que a profissão de detetive particular, como todas, exige de nós uma postura ética, comprometida com a verdade. Não há espaço de transigir com a verdade. Não há sedução pelo lucro nos honorários, não nos é dado, enfim, abdicar dos valores que herdamos de nossos pais, aperfeiçoamos em nossas escolas, e que lapidamos a cada dia, para entrega-los aos nossos filhos como joia irretocável: o caráter de um homem, o respeito de um profissional.

Muito poderia lhes falar sobre nossas atribuições, mas a cada um dos senhoras e senhoras aqui é sabido. Minha oração, nesta oportunidade, é no sentido de concitar a luta para o aperfeiçoamento técnico profissional. Ser um detetive é bem mais do que espionar.

Não devemos violar intimidade de ninguém, porque a Constituição da República a garante. Por isso o exercício profissional requer atenção ao processo de desenvolvimento tecnológico, de modo que possamos nos servir dos meios apropriados ao exercício profissional, sem perder de vista os princípios fundamentais de uma sociedade democrática.

O mundo muda com tamanha velocidade que a cada dia nos exige atualização, preparação, experimentos que possam ser utilizados. Paralelamente, passamos por circunstâncias que nos expõem a riscos, e que precisam ser minimizados por uma atenção maior das autoridades constituídas. Há um desequilíbrio de forças, onde a marginalidade se aparelha a cada dia com armas mais e mais letais, e nós, expostos a falta de algumas garantias de exercício profissional, passamos a ser alvo e frutos da sorte. É preciso que lutemos contra isso, aparelhados adequadamente.

Como disse antes, muito poderia ser dito sobre nossa profissão, particularmente sobre o seu exercício pela mulher detetive. Fico, entretanto, com a mensagem que deseja que a dignidade da mulher, como pessoa humana, seja o eixo pioneiro de respeito da profissional que faz o seu trabalho e contribui para o aperfeiçoamento das instituições sociais democráticas deste país.”